
Muitas teorias tentam explicar a origem das lendas folclóricas dos vampiros. Uma série de coisas – do enterro de vivos por engano à ignorância do ciclo da decomposição do corpo – é proposta como fonte das crenças nessas criaturas.
Muitos estudiosos atribuíram p mito a relatos sobre a hidrofobia, ou raiva. Mas há outras explicações para a origem da lenda do vampiro. Paul Barber, em seu livro Vampires, Burial e Death, afirma que a crença nos vampiros resulta da tentativa dos povos das sociedades pré-industriais de explicar o processo natural, mas até então não compreendido, da morte e decomposição.
Para Barber, as pessoas nutriam suspeitas de vampirismo quando um cadáver não tinha a aparência comum – isto é, desidratado e pálido – ao ser exumado. O ritmo da decomposição varia conforme as temperaturas e a composição do solo. E isso era desconhecido, o que teria levado à crença de que um cadáver que não havia se decomposto ainda apresentava sinais de vida. O escurecimento da pele, característico dos vampiros das lendas folclóricas, pode acontecer durante o processo de decomposição, e, em alguns casos, os corpos incham devido ao acúmulo de gases no torso. Além disso, o aumento da pressão força o sangue a sair pelo nariz e pela boca. Isso fazia que o cadáver parecesse “alimentado” e “rosado”, como se tivesse bebido o sangue que escorria de sua boca. Isso era inda mais surpreendente em se tratando de pessoas que tivessem sido pálidas ou magras em vida.
O relato sobre uma investigação de ataque de vampiro do século 18 dá conta de que o corpo de uma velha senhora foi exumado, e seus vizinhos testemunharam que ela estava mais gorda e com aparência mais saudável do que quando viva. O sangue no nariz e na boca indicava que aquele corpo era o de um vampiro.
Quando encontravam um cadáver nessas condições, os eslavos buscavam apaziguar o espírito para dissuadi-lo d seu comportamento destrutivo. Na Sérvia, até o século 18, era comum, por exemplo, exumar corpos para “atar o vampiro”.
Para isso, era necessário perfurar o coração do cadáver com uma estaca ou cortar sua cabeça. Ao se perfurar o corpo inchado e em decomposição com uma estaca, os gases acumulados são forçados para fora, podendo produzir, ao passarem pelas cordas vocais, um som semelhante a um gemido. Era comprovação de que o corpo era mesmo o de um vampiro.
Também acredita-se que as lendas de vampiros tenham sido influenciadas por casos de pessoas que foram enterradas vivas. Às vezes, ouviam-se sons vindos de determinado caixão e, quando o corpo era exumado, freqüentemente se encontravam marcas de unhas nas madeiras, indicando que a vítima tentara escapar. Em outros casos, pessoas que machucaram suas cabeças, narizes ou rostos davam a impressão de que tinham bebido sangue.
Doenças ou mortes sem explicação também contribuíram para criar as lendas dos vampiros. Na Nova Inglaterra, região nordeste dos Estados Unidos, até o século 19 a tuberculose era associada ao vampirismo. Em 1985, o bioquímico David Dolthin propôs uma relação entre uma rara doença sanguínea, a porfiria, ao folclore dos vampiros. Percebendo que a enfermidade era tratada com transfusão intravenosa, ele sugeriu que o consumo de grandes quantidades de sangue poderia aliviar os sintomas. De acordo com essa hipótese, os vampiros seriam apenas pacientes de porfiria que buscavam sangue humano para se sentirem melhor. A hipótese foi, porém, rejeitada pela comunidade médica.
Até a raiva já foi relacionada ao folclore dos vampiros. O neurologista espanhol Juan Gomes-Alonzo afirmou que a suscetibilidade ao alho e a luz, tão comum nos vampiros, pode ter surgido devido à hipersensibilidade, um sintoma da raiva. Uma antiga lenda dizia que, para saber se uma pessoa tinha raiva, bastava verificar se ela podia ver seu reflexo no espelho, Isso porque, com a hipersensibilidade à luz, muitos pacientes não conseguiam se ver. Tal fato deu origem à crença de que os vampiros não projetam reflexos no espelho. A doença também pode afetar partes do cérebro que provocam mudanças nos padrões normais do sono, tornando os pacientes sonâmbulos. Outro efeito colateral da doença pode ser a hipersexualidade. Lobos e morcegos, transmissores da raiva, também são associados aos vampiros. E a doença, claro, é transmitida por meio de mordidas.

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